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CRÔNICAS DO IMPÉRIO: O curioso caso do Barão de Penedo, nobre brasileiro que abriu mão da carreira diplomática, por lealdade ao Imperador do Brasil



Hoje a Revista Mundo da Nobreza inicia uma nova Coluna, chamada de "Crônicas do Império". Tal Coluna, sob a direção de Sir João Paulo Souza dos Santos, contará sobre fatos curiosos da vida imperial brasileira.


BARÃO DE PENEDO – O DIPLOMATA QUE NÃO QUIS SERVIR A REPÚBLICA POR LEALDADE AO IMPERADOR.

Quando do advento da “proclamação da república” através do golpe de 15 de novembro de 1889, o então diplomata do Brasil em Paris (antes em Londres) Francisco Inácio de Carvalho Moreira, barão de Penedo (1816 – 1906), recusou servir a república por amor e lealdade ao Império e ao Imperador. Rui Barbosa na condição de ministro da Fazenda comunicou o prestigiado ministro do Brasil na Europa e o convidou a servir o novo regime, a resposta foi um belo NÃO.

Paris, 23 de novembro de 1889.

Exmo. Sr. Conselheiro Rui Barbosa.

Em telegrama de 18 de corrente, junto por cópia, resumindo os acontecimentos extraordinários sobrevindos do Rio de Janeiro, comunica-se V. Exa. achar-se constituída a República dos Estados Unidos do Brasil; ter já partido para a Europa o Imperador e a Família Imperial; estar organizado um Governo Provisório do qual faz parte V. Exa. como ministro da Fazenda; e conclui dizendo – “que o Governo Provisório espera o concurso ativo do meu patriotismo, experiência e consideração na Europa”.

Em resposta à sua atenciosa comunicação, cumpre-me dizer a V. Exa. que, há quase quarenta anos, tenho tido a honra de representar o Brasil na América e na Europa como ministro do Imperador; e não é, ao findar tão longa carreira diplomática, que me seria possível, sem esquecer todo o meu passado, entrar no serviço de um novo regime, destinado à substituir a Monarquia abolida no Brasil.

É geralmente sabida por todos, que me conhecem no meu país e na Europa, a dedicação profunda que sempre atribui ao meu Venerável Monarca, a quem sou devedor de amizade e gratidão. Estes sentimentos para com Ele, hoje destronizado, são ainda, se é possível, para mim mais respeitáveis; e tornaram-me incompatível com o novo estado de cousas.

Facilmente, pois, compreenderá V. Exa. ser-me absolutamente impossível acender à expectativa do Governo Provisório, enunciada de modo tão benevolente por V. Exa. o que muito lhe agradeço.

Sou com todo respeito.

De V. Exa.

Barão de Penedo.

Penedo mantinha-se fiel e jogava em face de Deodoro, seu co-estaduano, o lugar de ministro do Brasil em Paris.

“...há quase quarenta anos, tenho tido a honra de representar o Brasil na América e na Europa como ministro do IMPERADOR” e nessa qualidade empenhava-se por findar a sua carreira.


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