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Arquivo GOTHA: O Príncipe Lavrador

 [Trazemos a reportagem e entrevista feita com S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 a 1981, e publicada na edição de 11 de novembro de 1951 da revista “O Cruzeiro”. ]


Texto de JORGE FERREIRA.
Fotos de HENRI BALLOT
Jacarezinho, outubro.


– Nem parece um Príncipe!
E Henri Ballot tinha razão. O herdeiro do Trono do Brasil, Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança, vive hoje a vida simples da própria paisagem bucólica que o cerca. Abandonou a luxuosidade dos palácios da Europa, recusou-se a participar da vida borboleteante das grandes capitais do mundo, retirou-se para os seus sessenta alqueires de terras deste miraculoso Norte do Paraná, onde planta café, educa os filhos e integra a sociedade como qualquer cidadão comum.


– Se um dia o Brasil precisar de mim, noutro setor, eu o servirei. Estou pronto para colaborar e trabalhar em benefício da grandeza da Pátria, sob qualquer regime.


Dom Pedro Henrique tem hoje 41 anos. Filho de Dom Luiz de Orleans e Bragança, neto do Conde d’Eu e bisneto de Dom Pedro II, nasceu na França. Veio para o Brasil em 1945, e desde junho do ano passado se recolheu à vida campesina. Na França, fez o curso da “École d’Hautes Études Sociales et Politiques”, na Sorbonne, onde aprendeu com Sigfried, Dubois, Gidel, Schaffer e Colzon. Casado com a Princesa Dona Maria da Baviera, que é filha do Príncipe Francisco e neta do Rei Luís III, tem sete filhos, quatro nascidos na França e três no Brasil: Luiz, Eudes, Bertrand, Isabel, Pedro de Alcantara Henrique, Fernando Diniz e Antonio João. Os quatro primeiros cursam o Colégio Diocesiano de Jacarezinho, e Dom Pedro Henrique nos diz que Eudes e Bertrand irão para o Exército e a Marinha. Os demais são ainda muito crianças para serem destinados a qualquer carreira.

Indagamos do Príncipe herdeiro do Brasil se há um movimento monárquico no País.

– A Monarquia tem muitos admiradores, mas não estamos organizados politicamente, pois a atual Constituição do Brasil não permite nem mesmo a luta pacífica pela mudança de regime. Organizamos então um grupo de estudos dos problemas monárquicos, que visa fundamentalmente esclarecer ao povo o que é a Monarquia.


– Acredita que a República foi implantada no Brasil por uma contingência histórica?
– Não. Foi por acidente.


– E a República trouxe algum progresso ao País?
– O Brasil progrediu muito neste século. Mas teria progredido independentemente de regime. Nesse engrandecimento o poder público pouco tem contribuído.


– Acredita que a Monarquia possa ser restaurada no Brasil?
– É muito difícil, mas não impossível. Se forem restauradas as Monarquias europeias, aqui também sofreremos mudança de regime. E no Velho Mundo restam grandes possibilidades de serem repostos os tronos de Portugal e Espanha. Quero dizer-lhe ainda que a Monarquia é um regime de ascensão, de períodos construtivos, e os demais regimes são característicos das épocas de decadência.


Estas considerações são expendidas por Dom Pedro Henrique enquanto visita os seus cafezais. É ele um entendido em matéria de cafeicultura, e deposita uma confiança ilimitada no poder econômico da rubiácea no Brasil. E foi examinando uma árvore de “ouro verde” que diz:


– A única preocupação que tenho hoje é cuidar da minha lavoura e educar os meus filhos para o futuro. Quero que eles sejam bons cidadãos brasileiros, úteis à sua Pátria. Só isso.


Foto: S.A.I.R. o Príncipe Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança (1909-1981), Chefe da Casa Imperial do Brasil de 1921 ao seu falecimento – por direito, S.M.I. o Imperador Dom Pedro III do Brasil –, tendo ao fundo um retrato do seu venerando bisavô, S.M.I. o Imperador Dom Pedro II do Brasil (1825-1891)

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