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Rei da Arábia Saudita morre aos 90 anos



Abdullah bin Abdulaziz al Saud era considerado um reformista e manteve uma relação bastante próxima ao parceiro EUA

Arábia Saudita - Morreu em Riade, na madrugada desta sexta-feira — de acordo com o fuso horário local —, Abdullah bin Abdulaziz al Saud, Rei da Arábia Saudita, divulgou a televisão estatal do país. O monarca tinha 90 anos. Abdullah estava internado já havia algumas semanas em um hospital na capital do país, devido a uma pneumonia. Ele morreu no local, onde só respirava devido à ajuda de aparelhos.

Nascido em Riade em 1924, Abdullah é um dos doze filhos do fundador da Arábia Saudita, o Rei Abdul-Aziz Al Saud. Ele se tornou príncipe saudita em 1982 e assumiu o poder da nação rica em petróleo em 1995, quando seu irmão Fahd, então monarca, ficou incapacitado devido a um derrame. Quando Fahd morreu, em 2005, Abdullah assumiu oficialmente o trono. Ao longo do período, foi visto como reformista, com frequentes enfrentamentos com clérigos mais linha-dura do islã.

Ainda de acordo com a televisão estatal, o Príncipe Salman bin Abdulaziz, irmão de Abdullah, assumiu o trono. Ele tem 79 anos, pouco mais de uma década mais jovem do que o seu antecessor, e já havia assumido há alguns meses as funções de monarca devido à fragilidade do irmão.

O novo rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdul Aziz, designou ainda nesta sexta-feira seu sobrinho Mohammed bin Naif como segundo na linha sucessória da monarquia, segundo um decreto real divulgado pela imprensa oficial saudita.

Parceiro de Washington

Abdullah teve um reinado marcante, especialmente devido às suas relações com o Ocidente. Aliado dos EUA, o monarca colaborou com Washington na luta contra grupos terroristas como a Al Qaeda. Também implementou reformas significativas na Arábia Saudita, incluindo algumas oportunidades para as mulheres, que, assim como em outros países islâmicos, são tratadas como cidadãs de segunda classe, proibidas inclusive de dirigir carros.

Apesar disso, em vários momentos a aliança com os EUA se estremeceu, como nas crises entre israelenses e palestinos. E ser chefe de Estado do país com a segunda maior reserva de petróleo do mundo e com fortes relações comerciais com Washington só deu a Abdullah mais força nas relações.

Nos últimos anos, o rei forçou a administração de Barack Obama a se posicionar de forma mais dura contra o Irã, nação que o monarca sempre viu como inimiga devido à disputa dos países pela influencia no mundo islâmico. Abdullah também exigiu mais ajuda aos rebeldes que tentam derrubar Bashar Al-Assad do poder na Síria, parceiro iraniano e adversário natural dos sauditas.

Sua influência foi tão grande que, no ano 2000, Abdullah convenceu a Liga Árabe a aprovar uma oferta segundo a qual todos os países árabes – o Irã é persa – concordariam em estabelecer a paz com Israel se o Estado judaico devolvesse a seus vizinhos os territórios conquistados em 1967, na Guerra dos Seis Dias. Logo, o então presidente norte-americano, George W. Bush, passou a advogar em favor da criação do Estado Palestino, posição até então impensável a um governante americano.

O monarca inclusive visitou Bush no rancho particular do então presidente dos EUA, no Texas, em duas ocasiões (2002 e 2005).

Após os ataques de 11 de Setembro, Abdullah foi bastante criticado pelo fato de 15 dos 19 sequestradores dos aviões usados no atentado terem vivido na Arábia Saudita – também apontada como base ideológica da Al-Qaeda, fundada pelo também saudita Osama Bin Laden.

Mas, em 2003, quando integrantes do grupo terrorista iniciaram uma onda de violência com o objetivo de chegar ao trono, Abdullah os contra-atacou com mão de ferro. Ao longo de três anos, as forças de segurança combateram militantes, que acabaram sendo forçados a se mudar ao Iêmen – o atual braço mais poderoso da Al-Qaeda.


Abdullah foi casado com mais de uma dúzia de mulheres e teve aproximadamente 30 filhos.

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