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Os Príncipes de Orleans e Bragança perdem o tratamento de Alteza Real?


Uma sutil mudança pode ser percebida no "Anuário da Casa Imperial do Brasil", publicação feita pelo secretariado do Chefe da Casa Imperial do Brasil, que está agora na sua quinta edição. Aos olhares menos atentos, poucas coisas chamaram a atenção... a publicação, que deveria ser um guia genealógico da Casa Imperial (uma espécie de "Almanaque de Gotha" brasileiro), porém mais parece um livro de orações, pois, mais da metade do mesmo trada das datas festivas dos santos, utilizando o calendário Católico pré-conciliar... típico da TFP.


Todavia, para os olhares mais atentos, que compararem o dito Anuário com o e-book "Genealogia da Casa Imperial do Brasil", lançado em 2020, um embrião para a atual publicação, poderão perceber que os Príncipes e Princesas de Orleans e Bragança agora são intitulados como "Altezas" e não mais "Altezas Reais" como até então se fazia. 


Obviamente o tratamento de Alteza Imperial que na constituição do Império era reservado apenas ao Príncipe Imperial do Brasil e ao Príncipe do Grão-Pará, é agora apenas utilizado pelo Chefe da Casa Imperial do Brasil e pelo Príncipe D. Rafael de Orleans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, que o utilizam em combinação com o de Altezas Reais... porém, o comum para os príncipes não dinastas, que até então, pelo tantas vezes mencionado "Pacto de Bruxelas" (espécie de acordo familiar entre os Orléans franceses e os Orleans e Bragança, assinado em 1909) era que todos os que ostentavam o título de Príncipes de Orleans e Bragança recebessem o tratamento de Altezas Reais, o que não está mais sendo então utilizado pela Casa Imperial do Brasil.


Isso é algo muito interessante de ser analisado pois demonstra um afastamento do Ramo Brasileiro da Casa de Bragança com seus primos franceses e, uma volta a tradição constitucional do que era previsto na Monarquia brasileira, haja vista que o costume do uso de "Alteza Real" era para manter um "padrão" com os que ostentam o título de Príncipes de Orléans, ou seja, os Membros da Casa Real de Orléans da França, já que todos estes utilizam o tratamento de Altezas Reais.


Os irmãos do Príncipe D. Bertrand, ou seja, aqueles que um dia, além de Príncipes de Orleans e Bragança, também foram Príncipes e Princesas do Brasil, são tratados no referido Anuário como Altezas Reais, porém tal tratamento já não é dado a seus filhos ou netos, diferente do padrão adotado até a publicação de 2020. 


Já a publicação continua ignorando totalmente o dito "ramo de Petrópolis", surgido do filho mais velho da Princesa D. Isabel e de D. Luís Gastão de Orléans, Conde d'Eu, mesmo que o anterior "Guia Genealógico da Casa Imperial do Brasil" os tenha listado como "Príncipes e Princesas da Casa Imperial do Brasil"

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Aline de Sá Carneiro Leão.

Aline é a redatora-chefe da Revista Mundo Blu, a maior e mais acessada publicação em língua portuguesa, sobre a Nobreza e a Realeza. 

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