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Morre o "rei da Itália"

 Nesta manhã faleceu Sua Alteza Real o Príncipe Amedeo Umberto di Savoia, indiscutível V Duque d'Aosta, que passou boa parte da vida em briga com o primo Sua Alteza Real o Príncipe Vittorio Emanuele di Savoia, indiscutível Príncipe de Nápoles, ambos pelo muito discutível título de "Duque de Savoia", bem como com o alto posto de Chefe da Casa Real de Savoia, Dinastia que reinou por séculos sob o Reino da Sardenha, e por muito menos tempo sob o Reino da Itália. 


Amedeo di Savoia, que, segundo seus partidários, chamados de "legitimistas italianos", ou ainda "aostanos" sucedeu a Sua Majestade o Rei Umberto II di Savoia na Chefia da Casa Real Sabauda após a morte do Rei em 1983, já que Vittorio Emanuele, Príncipe de Nápoles, casou-se contrariando as leis dinásticas da Casa de Savoia, e as próprias ordens de seu pai, que formalmente desautorizou o casamento do filho, e o exclui da Linha de Sucessão em 1971. 


Amedeo Umberto com sua segunda esposa

 

Porém, mesmo com a exclusão do Príncipe de Nápoles da linha de sucessão feita por seu pai, o Rei, como pode o Duque d'Aosta não ter tido completo sucesso em tornar-se, à luz dos monarquistas sabaudos, o novo Chefe da Casa Real? Muitos diriam que pelo fato de seu primo Vittorio Emanuele, Príncipe de Nápoles, ser filho de um Rei, lhe dava um carisma natural... porém Amedeo Umberto, Duque d'Aosta também era filho de um Rei! Não devemos esquecer que se Umberto di Savoia (pai de Vittorio Emanuele) foi Rei da Itália, Aimone Roberto (pai de Aimone Umberto) foi Rei da Croácia! 

 

Ambos filhos de Reis, o Príncipe Vittorio Emanuele casou-se contrariando as leis dinásticas de sua Casa, bem como a vontade expressa do Rei, seu pai... já o Príncipe Amedeo Umberto fez "tudo certinho": abandonou a ideia de casar-se por amor e fez um casamento dinástico, casando-se com a Princesa Claudia d'Orléans, filha do Conde de Paris, pretendente orleanista ao trono da França... aliás, Amedeo Umberto gostou tanto de casar-se, que depois de seu casamento com Claudia d'Orléans ter sido anulado pela Santa Sé, casou-se novamente, e novamente com uma mulher da nobreza, Donna Silvia Ottavia Costanza Maria Paternò di Spedalotto, de uma das maiores famílias principescas sicilianas.

 

Amedeo Umberto, em sua juventude, utilizando as condecorações das Ordens Dinásticas da Real Casa de Savoia

 

Então, sendo o hoje falecido Duque d'Aosta tanto filho de Rei, como o foi o ainda vivo Príncipe de Nápoles, por qual motivo, o falecido tendo o beneplácito de ambos os Reis, não foi reconhecido unanimemente pelos monarquistas como sei novo "rei"? Várias são as hipóteses... segundo o Príncipe Don Andre Trivulzio-Galli, XIV Príncipe de Mesolcina, consultor da Revista Mundo da Nobreza, isso, segundo o Príncipe, deu-se pelo fato de Vittorio Emanuele ter feito uso das Ordens Dinásticas da Casa de Savoia, criando Cavaleiros da Ordem dos Santos Maurício e Lázaro, concedendo os Colares da Ordem da Santíssima Annunziata, e até mesmo criando uma nova Ordem, a Ordem ao Mérito da Casa de Savoia. Sabe-se bem que um Príncipe que concede os título de cavaleiro das Ordens Dinásticas de sua Família, terá uma legião de fiéis cavaleiros, muito mais do que vestidos de mantos: dispostos a lutar pelos direitos dinásticos do Príncipe que lhe concedeu o título...


Todavia, o falecido Príncipe Amedeo a tudo isso assistia de forma passiva... nunca concedeu títulos das Ordens Dinásticas da Casa de Savoia; não criou a "legião" de fiéis cavaleiros que seu primo criou... mas teria sido este mesmo o motivo?


Não querendo contrariar a Sua Alteza Sereníssima o Príncipe de Mesolcina e do Sacro Império Romano-Germânico, mas, na realidade, nunca saberemos... pode ser que apenas o Príncipe Amedeo di Savoia-Aosta não tenha caído nas graças da opinião pública italiana... o que o fez cair na vida...

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